Suplementos Nutricionais com Mistura de Aminoácido

O músculo esquelético representa mais de 50% das proteínas corporais totais. Este tecido é considerado alvo principal da ação insulínica que ativamente promove anabolismo na presença de concentrações normais ou elevadas de aminoácidos (AAs). Com o envelhecimento há diminuição da massa muscular, denominada sarcopenia (sarco=músculo e penia=falta de). O processo decorre da redução da síntese de estrogênios, androgênios, hormônio do crescimento (GH) e do fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1), associado ao aumento das concentrações de glicocorticóides e citocinas pró-inflamatórias. A sarcopenia contribui para a fragilidade e inabilidade física, sendo relacionada a um aumento no risco de quedas e fraturas, particularmente as de quadril, o que constitui grande fator de morbidade e mortalidade, representando grave problema de saúde pública. A redução da massa muscular também pode diminuir a sensibilidade à insulina e, consequentemente, prejudicar a captação de glicose, seu armazenamento e utilização pelos tecidos periféricos. Neste sentido, especula-se que as necessidades de AAs devem ser significativamente maiores em idosos, a fim de diminuir o catabolismo e aumentar a síntese protéica. Para isso, o objetivo deste estudo foi avaliar se a suplementação de uma mistura de AAs aumentaria a massa muscular e a sensibilidade à insulina em idosos portadores de sarcopenia. O estudo, com duração de 16 meses, foi do tipo randomizado, duplo-cego, crossover conduzido com 41 idosos sarcopênicos. Um grupo de idosos saudáveis não sarcopênicos foi utilizado para comparações bioquímicas e de composição corporal (DEXA). A suplementação foi composta por mistura de AAs essenciais (8g/ dia: L-leucina 2,5g; L-lisina 1,3g; L-isoleucina 1,25g; L-valina 1,25g; L-treonina 0,7g; L-cisteína 0,3g; L-histidina 0,3g; L-fenilalanina 0,2g; L-methionine 0,1g; L-tirosina 0,06g e L-triptofano 0,04g) ingerida no desjejum, almoço e jantar. O placebo foi composto por suplementação isocalórica (70,6 kcal). No momento inicial, os sarcopênicos apresentavam maiores concentrações de insulina (14,7 ± 3,2 vs 9,3 ± 2,1μU/mL; P<0,001) e de HOMA-IR (4,8 ± 0,6 vs 1,8 ± 0,2; P<0,001) quando comparado aos indivíduos saudáveis.Após seis meses e, mais consistentemente após 18 meses de suplementação com os AAs, foi observado aumento significante (P<0,01) no total de massa magra e em todos os compartimentos corporais. A glicemia e insulinemia de jejum e o HOMA-IR reduziram significativamente (P<0,05; P<0,001; P<0,001; respectivamente) durante o tratamento com AAs. Além disso, houve redução do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e aumentos significantes (P<0,001) de IGF-1 e da relação IGF-1/TNF-α. Não foram observados efeitos adversos durante o tratamento com os AAs. Logo, o trabalho é de grande interesse na área de nutrição clínica e epidemiologia, indicando que suplementos nutricionais orais com mistura de AAs essenciais podem aumentar significativamente a massa corporal magra, sensibilidade insulínica e as condições metabólicas relacionadas com a disponibilidade de IGF-1, favorecendo a síntese protéica, em idosos portadores de sarcopenia.

Dr. João Felipe Mota e Dr. Gustavo Duarte Pimentel*

*Membro do Departamento de Nutrição e Metabologia da SBD.